quinta-feira, 25 de outubro de 2012

amarelo

gosto do cheiro da tinta,
e das folhas em branco,

dos dias claros, 

e dessas horas mornas.

faz sol,

e chove também...

as gotas escorrem pelas janelas,

as letras pelos meus dedos,

e eu, pelo peito,
me escorro também.

gosto da chuva assim, como uma garoa fina,
que vai aumentando e aumentando,

gosto do barulho dela no meu telhado...

gosto do sol assim,
começa frio,
e vai esquentando aos pouquinhos,

gosto dele batendo na minha janela no fim da tarde...

meus dias escorrem, um a um, pela janela,
feito chuva.

meu peito aquece,
chove 
e faz sol.

me escorrem pelo branco do papel,
palavras feito tinta,
a me espalhar,
e colorir.

apagar e diluir.


ir...


simplesmente ir.


escorrer pela vida,

feito gota a escorrer pelo vidro,

cantar como se fosse chuva

 a cair pelo telhado,

ir.


e simplesmente ir.

sentir o cheiro da tinta,

em brancas vidas.
faz sol,

e chove também,
só pra gente aprender a secar.

vá,


se escorrer pela vida,

feito tinta
e papel

fazer chover,

e se ensolarar.

amarelo,


feito tinta, em papel,

e no peito.

7 comentários:

  1. Só podia ser amarelo!

    Amarelo berrandte usei ontem.

    Laranjas, cores em profusion.

    Tudo se liga, tá ligada?

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  2. Passar o ensino médio inteiro escrevendo poemas enquanto as coleguinhas discutiam relações te fez bem, muito bem. O poema tem que transmitir para o leitor o máximo de grandeza e a tua poesia é GRANDEZA. Abraços!

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  3. Uma pequena observação sobre o trecho inicial do comentario li no outro blog mirtes rodrigues s.salles

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