domingo, 1 de novembro de 2015

Bateu-me a porta e eu abri, entrou vagaroso e sorridente, o acaso. 
Deixei sentar no meu sofá, me contar as histórias e refletir-me no seu rosto o meu próprio rosto. 
O acaso tem rosto e olhos de menino. Meninos desses que te puxam e fogem, sem saber que te puxam e fogem, porque meninos desconfiam de tudo, mas não sabem de nada. (Assim como as meninas também)
E aqui estamos o acaso, a chuva, a noite e eu, sentados todos no sofá da sala do que sou, encontrados onde me perdi. 
O acaso conta uma piada boba sobre deus e eu lhe conto uma história boba sobre amor e tudo fica assim: bobo. 
O acaso é um menino bobo a me contar piadas. E eu o que sou se não apenas uma menina boba também?
E a vida é uma bobagem muito séria que me foge dos versos, me abre as portas e me invade sem licença. E pra que licença? 
Senta, e dorme aqui no meu colo, sonhando em ser pouco mais que a piada boba de um menino...  

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