segunda-feira, 2 de novembro de 2015

corpo

gostava de ter teus olhos 
como a dois espelhos
a me refletir 
a fronte e as costas,

o tempo do calor do peito

a sobrepujar-me 
o tempo 
dos ponteiros e calendários,

gostava de ter os dedos,

a misturar 
o pó de café a água,

o aroma adocicado 

de melancolia 
a tocar-me o delicado dos lábios...

depois teu colo como ninho
asa e voo,

pousar abismo
em verso
letra
e
língua

ter as pernas como um navio,
a navegar-me 
os lençóis,

afogar-me 
o tédio e o medo  
no teu-e-meu suor,

gostava de ter o nu do corpo,
como folha branca,
pra te escrever com os lábios o beijo,

instante 
por 
instante. 

prender com as coxas 
o teu acaso, 
poesia 
em gozo morno;
eternidade.

verso a verso,

corpo 
a
corpo.

sonhava teus pelos misturados a minha poesia...

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