sexta-feira, 26 de junho de 2015

L.

tomo um café e imagino uma casa azul ,
em uma ruazinha qualquer de Minas,

com um gato e meia dúzia de livros, 
tinta e alguns pincéis...

não que eu tenha aprendido a pintar,
mas continuo gostando do cheiro de tinta de manhã. 

faz um tempo que eu sonhei que vocês se casavam na praia, 

ao som de uma banda chata dos anos 80... 

sonhei,
chorei,
amanheci,

e agora tanto faz. 

a verdade é que eu continuo tão desastrada, chata e quieta quanto sempre,

e tenho evitado relógios e o telefone,
apagado e-mails sem ler,
dormido pouco, e... 

o tempo continua sendo uma obsessão. simplesmente isso.

e no vão que me vai ficando entre as tuas mãos e os meus dias,
não sobra tanto assim a te escrever... 

escarrei o amargo da última conversa,
no doce do meu último verso,

e ainda assim, escreveria um livro inteiro só dos meus silêncios,
e outro,
só pros teus olhos castanhos...

mas nada nos é estático
previsível  ou igual.

por que seria?

tudo é verso a me percorrer
apagar,
e invadir
os olhos e o peito,

amor,
a nos escrever
apagar, e escarrar.

tempo a me fugir,
amanhecer, 
e esquecer... 

a vida é mesmo qualquer coisa sobre esquecer e lembrar...

e um tanto mais bonito é lembrar.

eu sonhei que vocês se casavam na praia, 
ao som de uma banda chata dos anos 80.

felicidades.
venham me visitar em Minas no verão. 

Um comentário:

  1. O incômodo não é em si a solidão, mas o quanto ela em nós mesmos nos faz ter a atenção.
    GK

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