quinta-feira, 4 de junho de 2015

tem uns meses que não bebo café,
e não fumo,
o que não é bom nem ruim, apenas é.

tem uns meses que esqueço a janela do quarto aberta, 
e durmo,

deixado as cartas no portão,
grifado a lápis o mais desimportante  dos rodapés dos textos de psicanalise,
e torcido para professora de terça faltar...

escrito e apagado,
adiantado o relógio e perdido a hora... 

meu peito é o 
oco 
preenchido de mim.

no reflexo do espelho,
nas lentes sujas do óculos,
na casa,
na rua,
livros e janela, não me encontro em mim,

tem um gosto amargo,
que me desce 
rasgando
pela garganta,

dia sim
dia não...

só tem me sobrado 
a falta de mim...

verso sim,
verso não.

abro a janela,
para me esquecer de 
fechar-me o peito. 

tens uns meses... e nada. 

2 comentários:

  1. Estou contente, mais por teres parado de fumar, mas também porque tua poesia segue o mesmo fio de direção que sempre encanta e me faz pensar. O me faz pensar que o cigarro não era o que te inspirava, isso me deixa mais alegre, porque me parece que vou te ler, mais.
    Abraço e parabéns, pelo poema.

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