tem uns meses que não bebo café,
e não fumo,
o que não é bom nem ruim, apenas é.
tem uns meses que esqueço a janela do quarto aberta,
e durmo,
deixado as cartas no portão,
grifado a lápis o mais desimportante dos rodapés dos textos de psicanalise,
e torcido para professora de terça faltar...
escrito e apagado,
adiantado o relógio e perdido a hora...
meu peito é o
oco
preenchido de mim.
no reflexo do espelho,
nas lentes sujas do óculos,
na casa,
na rua,
livros e janela, não me encontro em mim,
tem um gosto amargo,
que me desce
rasgando
pela garganta,
dia sim
dia não...
só tem me sobrado
a falta de mim...
verso sim,
verso não.
abro a janela,
para me esquecer de
fechar-me o peito.
tens uns meses... e nada.
Estou contente, mais por teres parado de fumar, mas também porque tua poesia segue o mesmo fio de direção que sempre encanta e me faz pensar. O me faz pensar que o cigarro não era o que te inspirava, isso me deixa mais alegre, porque me parece que vou te ler, mais.
ResponderExcluirAbraço e parabéns, pelo poema.
Tá bonito, como sempre.
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