sábado, 9 de outubro de 2010

2010

Encho o meu copo;até a metade;de vazio.
Bebo um gole de nada,
Que vai deixando um sabor insípido no meu paladar.
E enquanto sinto o calor de coisa nenhuma,
Descendo-me pela garganta,
Embriago-me com o vazio.

Sinto a cabeça rodar,
E os meus olhos ficarem pesados.
Pego;então;a caneta
Que sei;está;sem tinta.
E finjo estar escrevendo,
Enquanto vou apenas
Preenchendo de coisa nenhuma
a folha vazia do caderno.
Minha mão cansa.
Finjo;então;ler
os versos cheios de nada,que não escrevi,
Recitando em voz alta;
Sem pronunciar palavra alguma;
Estrofe por estrofe
Da poesia que não fiz.

Olho o relógio,e já são 23:56...
E,agora é o sono que sinto pesando nos meus olhos.
Mas,como ainda não quero dormir,
Bebo mais um gole
Do meu copo vazio.
E sinto o gosto de coisa nenhuma,
Ficar por mais tempo na minha boca
dessa vez...

Separo;então a cartela vazia de aspirina.
Já prevendo a ressaca de nada
Que vou sentir pela manhã.

2 comentários:

  1. Gostei muito do texto,sei como é se embriagar de "vazio"

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  2. Este foi o seu melhor texto, e isso não é pouco dado o seu talento para poesias. É tão maravilhoso que, por vezes, esquecemos o quão doloroso é um sentimento de vazio. São versos tão lindos, que nos diz tantos, que ficamos a pensar, e a sentir esse vazio, que só quem sente, sabe...

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