segunda-feira, 18 de outubro de 2010

...Apenas mais uma nota,que tiro da minha caneta desafinada

Caro poeta,
Que pena que não possa ter tido a chuva para,
Acompanhá-lo na tua caminhada...

Ao menos, não a teve hoje...

Eu, aqui, tive a chuva,
Mas não caminhei...
Apenas a olhei pela janela empoeirada
Fiquei apenas a escutar toda a melodia,
Que as gotas de chuva faziam ,
Tocar no meu telhado,
E que ecoavam como musica nos meus ouvidos,
E acabei adormecendo,
Ouvindo-a cantar para mim.

E quando finalmente sai para caminhar ela já havia cansado,
De cantar; em forma de gota ;sua canção.

Gota por gota,
E nota por nota
Ela havia cantando .
Como fazemos,
Com nossos versos,
Verso por verso.
E lágrima por lágrima.

Chorou a chuva por nós.
Gota por gota.
Chorou por mim,por você e por todos os outros que choram,
As grandes dores do mundo e da vida.
Por todos aqueles que choram,
Sem derramar lágrima alguma.
Todos aqueles que choram
E apenas choram,
Mas não tem a quem pedir um lenço emprestado,
para que possam secar suas lágrimas.
Pois, lágrimas secas não se choram,
E tão pouco se percebem.
Mas,caro poeta,
Sabes muito bem que seca ou molhada
Lágrima é sempre lágrima,
Esteja ela na tua face ou no meu papel...

Mas,caro poeta,quando fui caminhar já não tinha mais a chuva para me fazer companhia,
Tinha apenas os meus passos e um punhado de pensamentos vazios...
E por conta disso,
Não pude ouvir a canção do mundo.

Mas,hoje lendo os teus versos,
E ouvindo o teu jazz,
Eu sorri ,
Pois na melodia que compôs com a tua caneta;
Percebi ao fundo;
Enquanto a caneta tocava o teu papel e fazia um jazz misturado a bossa nova e outros rock’s;
O barulho da chuva.

Sim,eu quase, pude ouvir a canção da chuva que faltou na minha e na tua caminhada.

E essa canção,
Levou-me a querer roubar-lhe,
algumas notas da tua melodia,
Para compor a minha.

Que empresto,
[não só por hoje...]
A qualquer um que seja capaz;como você foi;
De ouvir o barulho das ruas,do mundo ,dos homens e da chuva...
E fazê-los cantar no papel.
Em forma de jazz,blues,rock ou outro ritmo qualquer.
Pois a chuva...

Ah...A chuva meus caros poetas;
Assim como a poesia ;
Não canta só pra mim,
E não se importa com os rótulos 
Que nós ;por não passarmos de maestros míopes;
damos a ela.

Sim;é verdade...
Não passamos de maestros míopes e um tanto cansados pelo peso da caneta.
E, por conta disso, não sabemos como tocar direito.
Mas,tocamos assim mesmo.

Pois, esta melodia,
Que sentimos ecoando silenciosa ,nos nossos ouvidos,
E que tentamos tocar com a caneta,
[confesso que um pouco desafinada às vezes]
É apenas uma pequena parte,
De uma grande sinfonia,
Que toca ;silenciosa; nos ouvidos de cada homem e mulher,
Sem distinção de credo,raça ,ideologia ou classe social...

Ouçam!
Ela está tocando agora,

E não só por hoje...

E ,ela é quase tão bela quanto à própria chuva caindo!
Eu posso ouvi-la e você?

3 comentários:

  1. E depois os acadêmicos tentam padronizar poesia!!!
    Fodam-se eles! Isso é Lindo!

    Lindo!
    Lindo!
    Lindo!

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  2. Eu não sei mais o que dizer. Isso é covardia, definitivamente fiquei sem palavras. Muito lindo!!!

    Aplausos!!!

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  3. me senti leve ao ler,me senti relembrando algumas tarde ou noites de chuva no meu telhado que encarava de forma parecida,me senti leve outra vez e sendo atacado por palavras lindas e cheias de sentimento. e definitivamente gostei de me sentir assim ao ler a sua poesia divina. parabéns *-*

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