segunda-feira, 10 de outubro de 2011


Não é poesia

já não me importo mais, com nada do que eu sinta,


                                joguei no ralo o coração junto com  a coerência,
e o que me restava da paciência
                                      ... e todas as rimas
                            e todos os versos...
f  ra
   gme
          n to,

           as linhas disfarçando o tédio em poesia,

                            talvez nem disfarce coisa alguma,

estou apenas, cansada demais, para tentar fazer poesia,
concreta ou convencional... tô cansada demais pra tentar ser criativa...

risco umas linhas à toa
em azul claro,
vermelho ou          cinza

                                                                          escrevo, escrevo ,  e escrevo...


                                        ... não tenho dito ou feito nada que se aproveite.

pois é...
                       tem que ser mesmo, muito estúpido, 
                                                                       pra se achar poeta hoje em dia.


... e eu, o sou o quê mesmo?

                                                                                                                             [...

6 comentários:

  1. talvez seja o que há de ser, ou outra que será outra, mas sempre fazendo bons poemas, com ou sem poesia.

    ResponderExcluir
  2. Veja que maravilha, estamos na mesma merda!
    Você é o que você escolher ser.

    ResponderExcluir
  3. Pois é Mirtes...
    tá aí o resultado,
    acho que uma pedra pode ser muitas coisas, mas essa tal pedra sempre vai saber que mesmo escultura, tijolo ou parede, sempre será pedra...
    e quem pode se dizer pedra hoje em dia?

    ResponderExcluir
  4. Olá, Mirtes... Muito obrigado pelo seu comentário! Gostei muito, muito da sua não poesia... Tem uma frase do Bukowski que amo e é mais ou menos o que eu tento utilizar na minha vida.

    "Tudo o que era mau atraía-me:
    gostava de beber, era preguiçoso, não defendia nenhum deus, nenhuma, opinião política, nenhuma ideia, nenhum ideal. Eu estava instalado no vazio, na inexistência, e aceitava isso. Tudo isso fazia de mim uma pessoa desinteressante. Mas eu não queria ser interessante, era muito difícil".

    Às vezes tornar-se desinteressante é mais difícil do que ser... Precisamos assumir o que somos, talvez seja o caminho mais fácil pra compreensão.

    beijos

    ResponderExcluir