sábado, 12 de março de 2011

Doce egoísmo

A folha continua vazia.
Conheço bem essa sensação de coisa nenhuma.

Todas as palavras que me aparecem nessas horas de tédio,
são sempre iguais.

O desfecho é inevitável:
Uma folha cheia de vazios.

Sempre tive certo talento para melancolia,
incoerência, solidão, e incompreensão.
                    
                     [Auto-incompreensão.

As rimas são fáceis... Elas; simplesmente; me aparecem na cabeça,
e me entorpecem.

É fácil escrever,

Absurdamente fácil.

Rabiscar as linhas, qualquer um rabisca...

Preencher-se delas que é difícil.

Olhe dentro dos meus olhos, e me diga, o que você vê?           

... Há tempos que não vejo nada além de mim.       

E, se isso é arrogância, blasé, afetação, ou simplesmente,
egoísmo... Que seja então. Pois, eu realmente não me importo.

Não; eu não me incomodo...

... Do que me serviria qualquer incômodo?

As palavras me sussurram, pequenas solidões no escuro.

... E, isso se parece com claridade pra mim.

Carregar o revólver, com todas essas pequenas abstrações, e depois atirá-las, irresponsavelmente, na minha própria consciência
me parece, extremamente aceitável.

O estrago que isso vai deixando, em mim, é; provavelmente;
toda minha poesia.
 
                                         [E ela sou eu.  
Agora,se isso é defeito...

...Tanto faz.

As minhas insignificâncias são mesmo, o que tenho de mais doce...

3 comentários:

  1. Adorei a pontuação, principalmente as reticências, que são as minhas favoritas.

    Curti a frase final, que resume bem o espírito reflexivo do texto.... massa mesmo.

    Bj!

    F.

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  2. Mesmo nas linhas mais amargas, tudo que é seu é do mais doce ;)

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  3. Nossa, tão fantástico que fico sem palavras...

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