quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Meia dúzia

Tenho sobre a mesa,
meia dúzia de livros.
meia dúzia de não sei o que...
Meia dúzia de coisas que formam o que, 
eu,
julgo que seja eu.

E eu,não julgo ser nada além dessa meia dúzia.

São meia dúzia de experiências,
meia dúzia de querer e não-querer,
meia dúzia de incertezas e quase certezas,
meia dúzia; enfim;
me alguma coisa,
que julgo que existam em mim,

Tenho uma inteligência?

Sim;
se não a tenho, julgo ter; qualquer coisa; que se assemelhe a uma,
e isto, por si só, já me serve muito bem como inteligência.

Tenho sentidos?

De certo que os tenho,
se não; o que tenho, eu, sentido todo esse tempo?

Tenho sonhos?

Se não os estou sonhado agora, que meus olhos estão abertos,
sei que já os tive antes.
E,isso basta para saber,
que tenho,em mim, a capacidade para tê-los.

Tenho medo?

Sim; 
mas não sou covarde o bastante para negá-lo,
Tão pouco, tenho coragem o bastante, para admiti-lo por inteiro aqui.

Tenho qualidades?

Talvez tenha algumas... Mas, prefiro os defeitos.
Cabem melhor nessas linhas,
e dispensam-me da falsa modéstia,
desse tempo de pessoas fúteis e idéias falsas.

Tenho dúvidas?
claro que sim,
se não as tivesse o que estaria, eu, fazendo aqui,
com todo esse papel e poesia?

Tenho metas e obrigações com esta vida?

Não; mas mesmo o que eu não tenho, de alguma forma,
também faz parte de mim.
Então, os tenho também, de um jeito meio torto...
Mas, quem há de se importar com as retas ou bifurcações que me formam além de mim?
                                                                                   
Tenho sobre a mesa de mim mesma,
meia dúzia de qualquer coisa,

E, essa meia dúzia, deve ser eu,
Ou, pelo menos, 
julgo que sejam em mim.

E, se não for meia dúzia o que tenho, sobre mim,
é porque errei nas contas do que sou.

Mas sabe, eu nunca fui muito boa mesmo, 
com toda  essa matemática, das coisas em mim...

Acho que prefiro o incerto.
E as curvas e buracos do caminho,
conduzem-me melhor pela estrada do que julgo ser.

Afinal, se tenho ou não tenho,em mim, meia dúzia de qualquer coisa,
pra chamar de meu, tanto faz...
Não sou ciência exata, o bastante, pra me contar e acertar assim.

E quem poderia dizer que é...?

Certamente, eu, não.

Ou ao menos, julgo que seja assim,
                                                     [pra mim.

2 comentários:

  1. Esse texto ficou muito zika!
    acho que essas perguntas fazem parte de nós... Muito louco!

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  2. É incrível como os seus textos, versos, linhas, me dizem muito respeito. Me identifico muito com o que escreve com o que sente.

    Texto magnífico mais uma vez!

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