segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Para os quase poetas

Tudo é tão efêmero, insignificante e estúpido,
Até você e eu.
As pessoas falam demais, querem demais,
E fazem de menos.
Elas mentem se agridem, e se afastam umas das outras sem razão.
E ninguém está livre de todo esse lixo.
O silêncio é o resto do grito,
A indiferença e o descaso,
 São as sobras de todo afeto.

E, se você; meu amigo; quer ser poeta dessa geração,
Deve abraçar todo esse lixo como quem abraça um irmão.

Mesmo quando estiver sozinho, perdido e sem esperança, rastejando por entre sarjetas,
Deve segurar a caneta,
Como quem segura uma espada,
E acariciar o papel como se afagasse uma namorada,

A poesia é a tua mais fiel amante.
E o vazio dos teus versos são toda a amizade que você  irá encontrar.
Ame e abrace a solidão,
Só não deixe ninguém perceber
Que ela é o teu mais nobre amigo.

Ame ocasionalmente, e só o suficiente para não morrer de frio,
Se amas apenas a ti mesmo,
Não deixe que percebam,
E blasfeme contra si,
Reze para descrença sempre que a fé lhe sussurrar uma prece amarga aos ouvidos.
E prefira sempre a companhia de uma garrafa,
Se o álcool não lhe agrada,
Não faz mal,
Pois a abstinência total pode ser tão embriagante quanto um whisky.

Lembre-se que só os  medíocres buscam mestres,
Por outro lado, apenas os pedantes buscam formar discípulos.

Seja dado aos extremos,
Não conheça a moderação ou o meio-termo.

Se corte com o papel o máximo que puder,
Esprema, aperte e esmague a sua alma,
Até não sobrar uma gota  sequer.
Só assim,quando não lhe restar mais nada,
você poderá ficar totalmente entregue ao seu próprio vazio e solidão,
e pronto para conhecer a si mesmo.

Se por acaso for mulher,
Deve aprender a pensar e a sentir feito homem.
Se for homem, deve aprender a pensar e sentir  feito criança.
E se não for  nada,aprenda a ser tudo.

Só assim,
Quando você for tudo e não for nada,
 Será; enfim; um poeta!

Mas, lembre-se;meu amigo;que isso
é também extremamente entediante e vazio,
e não vai te aliviar do peso que é ser você,
e ou te salvar, do perigo que é estar vivo.

5 comentários:

  1. Dos teus melhores versos, senão o melhor. Foi o texto que eu mais me identifiquei, por momentos, achei que era endereçado a mim.
    São cortantes feito navalha, esses seus versos. Mas sem dúvida tão bem são inspiradores, e, de certa forma, me deram algum conforto, não sei bem por que.

    Só me resta, mais uma vez, te aplaudir de pé!

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  2. 1º Sobre o texto:
    Como disse o Felipe.
    "Dos teus melhores versos, senão o melhor."
    Um dos que eu mais gostei.
    Lindimais. *-*
    haha

    Só me resta, mais uma vez, te aplaudir de pé!²

    2º Sobre o encontro de blogueiros:
    Eu e a Luiza estamos organizando um encontro de blogueiros para o dia 30/01.
    Estamos chamando os blogueiros que conhecemos, divulgando na net e pedindo p vc ir e chamar qm vc quiser conher.
    hahaha
    Todos os detalhes, bem como o flyer do encontro, estão aqui (http://www.encontroblogs.blogspot.com/), espero te ver. lá *-*

    Beijão

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  3. Realmente, eu estou atônito com a brutalidade desses versos aí...
    Essas reflexões, essas lições caóticas que o texto transmite, me levaram a uma viagem de ilusões e desilusões...

    foda!

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  4. Ah, só me resta te aplaudir de pé (3)

    abração Mirtz!

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  5. posso dizer que me identifiquei tambem,essas palavras já estavam em mim talvez nao tão bem escritas mas que tinham a mesma idéia. e eu amei seu jeito de escrever o que estava em mim,nao para mim mas que me afetou. obrigado é sempre muito bom passar por aqui Mirtes : )

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